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Professor Ronaldo Lavestein
Descobrir
Etapa 1

Quem conhece esse problema por dentro?

Já vimos que o cliente demora para conseguir uma resposta. Agora precisamos descobrir quem participa desse atendimento e quem precisa ser ouvido antes de mudar qualquer coisa.

Volte à ligação do cliente

O atendente procurou a ficha, abriu mensagens e chamou o técnico. Só nessa pequena cena já apareceram várias pessoas envolvidas.

Será que todos enxergam o mesmo problema?

Provavelmente não.

Cliente

Quer saber o andamento sem precisar insistir.

Atendente

Quer encontrar a situação correta rapidamente.

Técnico

Quer registrar diagnóstico e reparo sem perder tempo.

Gerente

Quer acompanhar atrasos, custos e resultados.

Estoque

Precisa saber que peças foram usadas ou estão faltando.

Fornecedor

Pode entrar no processo quando uma peça precisa ser comprada.

Perceba: uma pessoa sozinha não conhece toda a história.

É aqui que aparece a palavra stakeholder

Stakeholder é uma palavra inglesa usada para falar de uma parte interessada: alguém que participa, influencia decisões ou é afetado pelo processo.

Não precisa decorar a palavra. Guarde a pergunta: “quem precisa ser considerado para entendermos este problema direito?”

Vamos montar a lista a partir da situação real

Quem?O que essa pessoa precisa?O que ela sabe que pode ajudar?
ClienteAcompanhar o atendimentoComo percebe a comunicação da empresa
AtendenteRegistrar e consultar ordensComo começa e termina o atendimento
TécnicoDiagnosticar e repararExceções e problemas do serviço
GerenteAcompanhar a operaçãoRegras, prioridades e decisões

Esse tipo de organização pode ser chamado de Mapa de Stakeholders. Na prática, é só uma forma de não esquecer quem precisa participar da investigação.

Mas até onde vamos investigar?

Se começarmos a analisar tudo o que existe na empresa, nunca terminaremos.

O problema que estamos estudando é o acompanhamento da Ordem de Serviço. Então faz sentido olhar atendimento, diagnóstico, orçamento, aprovação, reparo, teste e entrega.

Faz parte desta investigação

  • cliente e equipamento;
  • ordem de serviço;
  • diagnóstico e orçamento;
  • aprovação ou recusa;
  • reparo, teste e entrega;
  • acompanhamento da situação.

Não precisamos estudar agora

  • folha de pagamento;
  • contabilidade completa;
  • loja virtual de peças;
  • gestão de Recursos Humanos;
  • assuntos que não ajudam a resolver o problema atual.

Essa decisão sobre o que entra e o que fica de fora é o nosso escopo.

E a linha imaginária que separa o que estamos estudando do restante da empresa pode ser chamada de fronteira.

“Fora do escopo” não quer dizer “nunca”

Quer dizer apenas: não faz parte desta investigação agora.

Se tentarmos resolver tudo de uma vez, perdemos foco e aumentamos a chance de construir algo enorme sem resolver bem o problema principal.

Algumas coisas ainda são só suposições

Imagine que alguém diga: “Todos os atendentes têm Internet o tempo todo.”

Será verdade? Talvez. Enquanto estivermos assumindo isso sem confirmar, temos uma premissa.

Agora imagine: “A empresa vai continuar usando os computadores que já possui.” Se isso realmente limita nossas escolhas, temos uma restrição.

Você não precisa decorar os nomes agora. Só perceba a diferença: uma coisa é algo que estamos assumindo; outra é algo que realmente limita o projeto.

Faça agora

  1. Volte à cena do atendimento e liste quem apareceu ou poderia aparecer.
  2. Para cada pessoa, escreva o que ela precisa e o que sabe sobre o problema.
  3. Escolha três coisas que entram nesta investigação e três que ficam fora.
  4. Explique por que estudar folha de pagamento agora não ajudaria a resolver o problema do acompanhamento.
  5. Escreva uma suposição que ainda precisa ser confirmada.
Caderno da Análise · Evidência 02

Quem precisamos ouvir e até onde vamos olhar

Registre as pessoas importantes e a fronteira inicial da investigação. Essa lista vai orientar o levantamento da próxima etapa.

Agora sabemos quem precisa participar

Mas ainda falta uma pergunta importante: como descobrir o que realmente acontece, sem depender apenas da opinião de uma pessoa?

Próximo passo

Vamos conversar, observar e olhar documentos para reconstruir o atendimento como ele realmente acontece.