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Professor Ronaldo Lavestein
Compreender e modelar
Etapa 4

O caminho ficou claro. Mas onde estão as informações?

O fluxograma mostrou o que aconteceu com o notebook de Ana. Agora surgiu outra dúvida: quem forneceu cada informação, quem usa e onde ela precisa continuar disponível?

Volte ao ponto “Cliente aprovou?”

O desenho da etapa anterior mostra que a aprovação muda o caminho. Mas ele não explica bem como essa aprovação chegou, quem recebeu e onde ficou registrada.

Vamos seguir uma informação, não o notebook

O atendente envia o orçamento para Ana. Ela responde: “Pode fazer o reparo.”

Essa frase muda o que a empresa pode fazer a seguir.

Agora repare: antes acompanhávamos ações. Desta vez vamos acompanhar informações.

Anaenvia →aprovação do orçamentopara →Conecta

Já conseguimos fazer três perguntas: quem enviou? o que foi enviado? quem recebeu?

Quem está dentro da empresa e quem está fora?

Ana participa do atendimento, mas não faz parte da Conecta. O fornecedor também não. Mesmo assim, os dois trocam informação com a empresa.

Quando queremos enxergar apenas essas trocas com o “lado de fora”, usamos um Diagrama de Contexto.

A empresa

Conecta

O bloco representa a Conecta como um todo.

Quem está fora

Cliente

O retângulo representa alguém de fora que troca informação com a empresa.

E a seta só aparece porque existe algo real atravessando essa fronteira:

Clienteaprovação / recusa →Conecta

Agora veja o contexto completo

Assistência TécnicaConectaClienteFornecedorPagamentoMensagensdados / decisãopedido de peçacobrançanotificação

Leia como frase

Escolha uma seta. Por exemplo: o cliente envia dados e decisões para a Conecta. Se você consegue contar a frase, já entendeu o desenho.

Mas ainda falta enxergar o que acontece lá dentro

Sabemos que a aprovação entrou na Conecta. Quem usa essa informação? O que acontece com ela? Onde ela fica depois?

Agora precisamos abrir a caixa e acompanhar o caminho dos dados. É aí que aparece o DFD — Diagrama de Fluxo de Dados.

Monte só um pedaço primeiro

Ana entrega o notebook e informa nome, telefone e defeito. O atendente usa essas informações para abrir o atendimento. Depois, a ordem precisa continuar disponível para o técnico e para as próximas etapas.

Clientedados do equipamento →Registrar atendimentoordem aberta →Ordens

Agora os nomes técnicos ganham sentido:

Cliente

Está fora e envia informação. No DFD, isso é uma entidade externa.

Registrar atendimento

Recebe informação e produz um resultado. Isso é um processo.

Dados do equipamento

É o que circula entre os pontos. Isso é um fluxo de dados.

Ordens

É algo que precisa continuar disponível depois. Isso é um depósito de dados.

“Depósito” não quer dizer que já escolhemos banco de dados. Quer dizer apenas: essa informação precisa ser guardada e recuperada depois.

Por que D1, D2, D3?

São apenas códigos para identificar depósitos no desenho. D2 Ordens significa “depósito número 2: Ordens”.

Agora amplie sem tentar decorar

Cliente1. Registraratendimento2. Realizardiagnóstico3. Gerenciarorçamento4. Registrarreparo/entregaD1 ClientesD2 OrdensD3 Orçamentosdados do equipamentodados do clienteordem abertadiagnósticoorçamentodecisãosituação final

Siga um caminho por vez

Comece no Cliente. Siga “dados do equipamento”. Veja qual processo recebe. Depois procure o que esse processo produz. É assim que o diagrama deve ser lido.

Essa visão geral dos principais processos é chamada de DFD Nível 0.

Quando uma parte ainda está grande demais

“Gerenciar orçamento” pode esconder várias ações. Podemos abri-lo em partes menores: receber diagnóstico, preparar proposta, enviar orçamento e registrar decisão.

Esse ato de abrir um processo em partes menores é chamado de decomposição.

Se abrirmos um processo, as informações que entram e saem precisam continuar coerentes com o nível anterior. Essa coerência é chamada de balanceamento.

Alguns nomes de dados também precisam de acordo

Quando alguém diz “situação da ordem”, todos entendem a mesma coisa? E “diagnóstico”? E “decisão do orçamento”?

Para evitar significados diferentes, podemos manter um Dicionário de Dados: uma lista que explica o que cada dado quer dizer no projeto.

NomeO que significaExemplo
Situação da ordemCondição atual reconhecida do atendimentoAguardando aprovação
DiagnósticoConclusão técnica antes da definição do reparoFalha na fonte
Decisão do orçamentoResposta do cliente à propostaAprovado / recusado

E quando várias condições mudam a decisão?

Imagine: está em garantia? o cliente aprovou? a peça está disponível? Se tentarmos representar tudo com muitos losangos, o desenho começa a ficar confuso.

Nesse caso podemos usar uma Árvore de Decisão, quando a ordem das perguntas importa, ou uma Tabela de Decisão, quando queremos conferir combinações.

RegraGarantia?Aprovado?Peça disponível?Ação
R1Sim—SimProsseguir conforme garantia
R2NãoSimSimIniciar reparo
R3NãoSimNãoSolicitar peça
R4NãoNão—Encerrar sem reparo

O “—” quer dizer: essa condição não faz diferença para aquela regra. A letra R serve apenas para identificar cada regra na tabela.

Faça agora

  1. Conte a história da aprovação de Ana e diga quem enviou, o que enviou e quem recebeu.
  2. No Diagrama de Contexto, escolha uma seta e transforme-a numa frase.
  3. No DFD, identifique uma entidade externa, um processo, um fluxo e um depósito dizendo o que cada um representa no caso.
  4. Monte um pequeno caminho Cliente → processo → depósito antes de tentar um DFD maior.
  5. Escolha três dados que precisam ter significado combinado.
  6. Crie uma pequena tabela de decisão para uma situação com mais de uma condição.
Caderno da Análise · Evidência 05

Por onde a informação passa

Guarde o Diagrama de Contexto, o DFD e as decisões importantes. Se uma seta não tiver origem clara, volte ao levantamento.

Checkpoint 3 — Você consegue contar o desenho?

Ao olhar para um símbolo, você consegue dizer o que ele representa nesta história, e não apenas repetir o nome técnico?

Nova necessidade

Agora entendemos melhor o processo e a informação. O próximo passo é usar tudo isso para decidir como queremos que o atendimento funcione daqui para frente.