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Professor Ronaldo Lavestein
Compreender e modelar
Etapa 5

Como queremos que esse atendimento funcione daqui para frente?

Já acompanhamos o notebook de Ana e vimos onde a informação se perde. Agora vamos usar essas descobertas para imaginar um processo melhor, sem inventar solução só porque parece moderna.

Volte por um instante ao atendimento de Ana

O orçamento ficou pronto. A aprovação chegou por mensagem. Depois alguém precisou procurar essa mensagem para saber se o reparo podia começar. Foi aí que percebemos um problema real: a decisão da cliente existe, mas não fica ligada de forma clara à ordem de serviço.

Antes de desenhar qualquer coisa, vamos decidir o que deveria mudar

Pense comigo: se o problema é ter informação espalhada, não faria sentido apenas trocar papel por várias telas diferentes. Continuaríamos com o mesmo problema, só que no computador.

Uma mudança que realmente responde ao problema

Quando o diagnóstico for registrado, o orçamento deve nascer ligado à mesma ordem. Quando Ana aprovar ou recusar, essa decisão também deve ficar registrada nessa ordem. Assim, atendimento e técnico consultam a mesma informação.

Perceba a diferença: primeiro encontramos o problema; depois pensamos como o trabalho deveria acontecer. Só agora vale dar um nome técnico a essa visão.

Esse processo futuro tem um nome: TO-BE

TO-BE não é uma sigla. É uma expressão em inglês que significa “como será” ou “como deverá ser”.

Na etapa anterior desenhamos o AS-IS, ou seja, como o trabalho acontece hoje. Agora estamos construindo o TO-BE: como queremos que ele funcione depois de corrigir problemas que realmente encontramos.

Guarde esta ideia simples

AS-IS: como acontece hoje.
TO-BE: como deverá acontecer depois da melhoria.

Vamos montar o novo caminho usando o que já sabemos

Começamos sem desenho técnico:

Atendente abre a ordem→Técnico registra o diagnóstico→Atendente gera o orçamento→Cliente decide→Atendente registra a decisão

Até aqui está fácil de acompanhar. Mas agora apareceu outra pergunta importante: quem é responsável por cada parte?

O mesmo caminho envolve pessoas diferentes

Veja o que acontece na Conecta: o atendente abre a ordem; o técnico diagnostica; o cliente toma a decisão; o atendente registra essa decisão; o técnico repara; o estoque pode precisar separar uma peça.

Se colocarmos tudo numa única linha, enxergamos a sequência, mas não enxergamos bem quem faz o quê. É justamente aí que uma nova forma de desenho passa a ajudar.

BPMN — o que essas letras significam?

BPMN vem de Business Process Model and Notation. Em português, podemos entender como Modelo e Notação de Processos de Negócio.

O nome parece grande, mas não se preocupe com isso agora. Para este caso, ela vai nos ajudar principalmente a responder duas perguntas:

  • o que acontece depois?
  • quem é responsável por fazer?

Vamos deixar o desenho nascer da história

1. O atendimento começou

Um cliente chega e a empresa inicia o atendimento. No BPMN, usamos um círculo para marcar esse começo. Esse círculo é chamado de evento.

início do atendimento

2. Alguém executa uma ação

O atendente abre a ordem. O técnico registra o diagnóstico. Essas são tarefas: coisas que alguém faz.

Abrir ordem= tarefa

3. Chegamos a uma pergunta que muda o caminho

O orçamento foi enviado. Agora precisamos saber: o cliente aprovou? Se sim, o reparo pode continuar. Se não, o caminho muda.

No BPMN, esse ponto de divisão aparece como um losango, chamado de gateway.

clienteaprovou?= ponto em que o caminho se divide

4. Precisamos enxergar quem faz cada parte

Agora vem a parte que o fluxograma simples não mostrava tão bem. Vamos separar o desenho em faixas. Cada faixa mostra uma responsabilidade.

Pense como pistas numa piscina

Uma raia fica para o Atendimento, outra para o Técnico, outra para o Cliente e outra para o Estoque. A tarefa aparece na faixa de quem é responsável por executá-la.

Na BPMN, essas faixas são chamadas de lanes, palavra inglesa que significa justamente raias. Um conjunto maior que reúne essas raias é chamado de pool.

Agora o desenho completo faz sentido

Você já sabe por que cada elemento existe. Então leia o modelo da Conecta como se estivesse acompanhando o atendimento:

AtendimentoTécnicoClienteEstoqueAbrir ordemde serviçoRegistrardiagnósticoGerar e enviarorçamentoClienteaprova?ExecutarreparoTestarSeparar /solicitar peçaSimNão / aguarda

Vamos ler juntos

Comece pela primeira raia. O Atendimento abre a ordem. Depois o fluxo vai até o Técnico, que registra o diagnóstico. O orçamento volta para o Atendimento. Quando chegamos ao cliente, aparece a pergunta “aprova?”. Se a resposta permitir o reparo, o trabalho volta ao Técnico.

Perceba o que o desenho acrescentou: agora enxergamos ao mesmo tempo o caminho e a responsabilidade.

O que melhoramos em relação ao processo antigo?

Problema observadoComo queremos que funcionePor que isso ajuda
A situação da ordem ficava espalhada.A ordem passa a ser a referência comum.Atendimento e Técnico consultam a mesma situação.
A aprovação podia ficar numa mensagem solta.A decisão fica vinculada à ordem.Ninguém precisa procurar uma conversa antiga para saber se pode reparar.
Peças usadas podiam ficar em anotação separada.O uso de peça fica ligado ao reparo.O histórico da ordem consegue explicar o que foi utilizado.

Esse é o ponto mais importante do TO-BE: cada mudança precisa responder a um problema que realmente encontramos.

Faça agora

  1. Conte com suas palavras o que mudou no atendimento de Ana entre o processo atual e o processo que estamos propondo.
  2. No desenho, encontre uma tarefa e diga quem é responsável por ela.
  3. Encontre o losango e explique por que naquele ponto o caminho pode se dividir.
  4. Explique com suas palavras o que significa TO-BE.
  5. Agora explique para que a BPMN nos ajudou neste caso, sem decorar a tradução da sigla.
  6. Escolha um problema real do AS-IS e mostre qual mudança no TO-BE tenta resolvê-lo.
Caderno da Análise · Evidência 06

Como queremos que o processo funcione

Guarde o desenho futuro e, ao lado de cada mudança importante, anote qual problema observado justificou aquela mudança.

O desenho melhorou o processo. Mas ainda falta uma coisa.

Nós sabemos que a ordem deve guardar o diagnóstico, que a decisão do cliente precisa ficar registrada e que o técnico não pode reparar antes da aprovação. Só que essas ideias ainda estão espalhadas entre conversas e desenhos.

Nova necessidade

Precisamos escrever de forma clara o que o sistema deverá permitir e quais regras deverá respeitar. É daí que surgem os requisitos — não de uma lista pronta, mas do caminho que acabamos de construir.