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Professor Ronaldo Lavestein
Validar e consolidar
Etapa 10

Antes de programar, será que alguém entende o que imaginamos?

No papel tudo pode parecer claro. Agora precisamos colocar nossa ideia diante de uma pessoa e descobrir se ela consegue realizar a tarefa sem o professor ou o analista explicar o caminho.

Vamos voltar a Ana mais uma vez

Ana deixou o notebook e quer uma coisa muito simples: saber em que situação ele está. Ela não quer “navegar por um sistema”; quer resolver essa necessidade.

Antes da tela, pense no que Ana vive

Ana entrega o equipamento, espera, recebe um orçamento, decide e depois retira o notebook. Essa sequência de momentos forma a jornada do usuário.

MomentoO que Ana tenta fazerO problema atual
EntregaExplicar o problemaInformação pode ficar espalhada.
EsperaSaber se houve avançoPrecisa telefonar ou mandar mensagem.
OrçamentoDecidirA decisão pode ficar solta numa conversa.
RetiradaConfirmar o que foi feitoNem sempre tudo está reunido.

Chamamos isso de jornada porque estamos olhando a experiência inteira, e não apenas uma tela.

Agora aproxime a lupa de uma única tarefa

Vamos observar apenas a consulta da ordem. O caminho pode ser:

Abrir consulta→Informar dados→Confirmar identidade→Ver situação

Essa sequência é o fluxo do usuário: os passos que a pessoa percorre para alcançar um objetivo.

Antes de caprichar no visual, rabisque a estrutura

Não precisamos começar escolhendo cor, fonte ou ícone. Primeiro queremos saber: o que Ana precisa enxergar e onde ela precisa agir?

Um esboço simples dessa estrutura é chamado de wireframe.

Consultar minha ordem

Acompanhe a situação do equipamento.

Consultar
Situação

Aguardando aprovação do orçamento

É um desenho de baixa fidelidade: simples de propósito, porque ainda estamos discutindo organização e compreensão.

Protótipo: uma simulação que podemos experimentar

Agora queremos clicar, mudar a situação da ordem e observar o que acontece. Para isso usamos um protótipo: uma simulação da solução antes de construir o sistema completo.

Ele não precisa ter banco de dados real, segurança completa ou todas as integrações. Ele serve para responder perguntas sobre a experiência e o comportamento.

Wireframe × protótipo

O wireframe ajuda a discutir como a informação está organizada. O protótipo permite experimentar o que acontece quando alguém usa.

Não pergunte “você gostou?”

Se perguntarmos apenas se a pessoa gostou, podemos receber uma opinião educada e aprender pouco.

Dê uma tarefa real

Instrução ao participante: “Imagine que você deixou seu notebook na assistência ontem. Descubra em que situação está a ordem.”

Depois observe. Onde a pessoa para? O que tenta clicar? Qual palavra não entende? Que informação procura?

Não ensine o caminho durante o teste. Se você mostrar onde clicar, não saberá se a interface conseguiria orientar a pessoa sozinha.

Uma sugestão não vira requisito automaticamente

Se alguém disser “coloque um botão vermelho”, não anote imediatamente “botão vermelho” como requisito. Primeiro descubra o problema por trás da sugestão.

Talvez a pessoa esteja dizendo: “eu não consegui perceber onde deveria clicar”. Essa é a evidência que importa.

Acessibilidade também aparece na conversa com o usuário

Se a pessoa não consegue ler, distinguir ou acionar um elemento, a interface falhou para ela. Por isso devemos observar contraste, tamanho, rótulos claros, uso de teclado e mensagens compreensíveis desde cedo.

Exemplo simples

Não mostre apenas uma cor verde ou vermelha. Escreva também Aprovado ou Recusado. A cor reforça a informação; não deve ser a única forma de transmiti-la.

E se o protótipo mostrar que nossa ideia estava errada?

Ótimo: descobrimos antes de programar tudo. Se Ana não entende uma palavra ou não consegue localizar a situação da ordem, voltamos ao requisito, ao fluxo ou ao próprio texto da interface e corrigimos.

O protótipo não serve para provar que estávamos certos. Serve para aprender antes de gastar mais.

Faça agora

  1. Abra o protótipo da Conecta, leia a contextualização inicial e siga o roteiro principal da OS #1042 até “Pronto para retirada”.
  2. Teste os caminhos complementares: orçamento recusado e abertura de uma nova ordem.
  3. Conclua os três desafios da validação guiada, registrando evidência, artefato de origem, decisão justificada e forma de reteste.
  4. Agora volte ao seu próprio backlog e escolha uma história prioritária.
  5. Descreva a jornada e o fluxo do usuário dessa história.
  6. Crie um wireframe de baixa fidelidade.
  7. Defina uma tarefa realista para outra pessoa tentar executar sem receber instruções de uso.
  8. Observe o teste e registre pelo menos três evidências antes de decidir se algo precisa mudar.
  9. Faça uma revisão básica de acessibilidade e reteste o que foi alterado.
Caderno da Análise · Evidência 11

O que a pessoa tentou fazer

Registre o que aconteceu durante o teste, onde houve dificuldade e o que a evidência realmente justifica alterar.

Checkpoint 7 — A pessoa consegue sozinha?

Seu protótipo consegue orientar o usuário sem você explicar onde clicar? E, quando algo falha, você consegue voltar à origem e corrigir o entendimento?

O protótipo ainda não prova tudo

A interface pode parecer ótima e, mesmo assim, o sistema real ser lento, inseguro ou falhar ao conversar com outros serviços.

Nova necessidade

Agora precisamos olhar para qualidades que não aparecem só na tela e para as conversas entre a Conecta e outros sistemas.