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Professor Ronaldo Lavestein
Validar e consolidar
Etapa 14

Integração final: você consegue contar como chegamos até aqui?

O objetivo final não é mostrar quantos diagramas aprendemos. É conseguir explicar como um problema foi entendido, investigado, modelado, testado e transformado numa base confiável para desenvolvimento.

O projeto final não começa agora

Ele começou quando Ana chegou com o notebook. Desde então, cada etapa respondeu a uma dúvida que apareceu no caminho.

Conte a história antes de olhar as siglas

Problema→Quem participa→Levantamento→Como funciona hoje→Dados e decisões→Como queremos que funcione→Requisitos→Objetivos dos usuários→Modelos necessários→O que entra primeiro→Protótipo→Qualidade→Riscos→Documentação

Se você consegue contar essa história com suas palavras, as siglas deixam de ser o centro do aprendizado.

Agora recupere os nomes que usamos no caminho

NomeO que ele queria dizer no nosso caso
AS-ISComo o atendimento funcionava antes das melhorias.
TO-BEComo propusemos que o atendimento passasse a funcionar.
DFDUm jeito de acompanhar por onde os dados circulam.
BPMNUm jeito de enxergar o processo e as responsabilidades.
UMLUma família de diagramas usada quando uma pergunta específica precisava de outra visão.
RF / RNF / RNRequisitos funcionais, não funcionais e regras de negócio.
MVPA menor versão coerente que já entrega valor e permite aprender.
PoCUm experimento pequeno para reduzir uma dúvida técnica.

O mais importante: por que cada artefato existe?

Um fluxograma só faz sentido porque precisávamos enxergar os caminhos. Um DFD só apareceu porque queríamos seguir a informação. O BPMN apareceu quando a responsabilidade entre pessoas ficou importante.

Essa é a regra que deve continuar com você: primeiro a pergunta, depois a ferramenta.

Se a sua dúvida é...Uma ferramenta que pode ajudar
Como o processo acontece hoje?Fluxograma AS-IS
Por onde os dados circulam?DFD
Quem faz cada parte do processo?BPMN
Quem usa o sistema e para quê?Casos de Uso
Como uma funcionalidade se comporta?Diagrama de Atividades
Quem envia mensagens para quem?Diagrama de Sequência
Quais conceitos existem e se relacionam?Modelo de Domínio
Como algo muda de situação?Diagrama de Estados
O que entra primeiro?Backlog, Story Map e MVP
A pessoa consegue usar?Wireframe e protótipo
O que pode dar errado?Registro de riscos
O que muda se uma decisão mudar?Rastreabilidade

Também é importante saber quando parar

Se já está claro, por que desenhar mais?

Uma funcionalidade simples talvez já esteja bem explicada por requisito, regra e protótipo. Nesse caso, produzir DFD, Caso de Uso, Atividades e Sequência da mesma coisa pode apenas repetir informação.

Análise proporcional significa usar mais detalhe quando existe mais risco, complexidade, exceção ou dificuldade de comunicação.

Quando a análise já é suficiente para avançar?

Ainda há algo crítico escondido

  • regra importante contraditória;
  • pessoa essencial não foi ouvida;
  • integração de alto risco ainda desconhecida;
  • ninguém sabe como validar o comportamento.

Já temos base para seguir

  • objetivo claro;
  • regras essenciais conhecidas;
  • critérios verificáveis;
  • dependências importantes identificadas;
  • dúvidas críticas tratadas.

Analisar bem não significa esperar saber absolutamente tudo. Significa saber o bastante para dar o próximo passo com risco consciente.

Depois da análise, o desenvolvimento pode seguir caminhos diferentes

Nem todo projeto precisa avançar da mesma maneira.

Cascata

Analisar→Projetar→Construir→Testar→Entregar

Na abordagem em Cascata, o trabalho avança principalmente em sequência. Pode fazer sentido quando requisitos estão mais estáveis e mudanças tardias custam muito.

Iterativo e Incremental

Fatia 1→avaliar→Fatia 2→avaliar→ampliar

Iterar é voltar e melhorar com o que aprendemos. Incrementar é acrescentar novas partes ao produto.

Modelo Espiral

O Modelo Espiral organiza o avanço em ciclos orientados por risco e aprendizado.

Leia uma volta antes de olhar o desenho

Planejar → analisar riscos → construir ou prototipar → avaliar → revisar → avançar.

Depois, uma nova volta repete esse raciocínio com mais conhecimento.

Modelo EspiralUma espiral cresce a partir do centro e passa pelas etapas planejar, analisar riscos, construir ou prototipar, avaliar, revisar e avançar.1. Planejar2. Analisar riscos3. Construir / prototipar4. Avaliar5. Revisar6. Avançarnova volta = mais evidênciae decisões mais maduras

Ciclo: planejar → analisar riscos → construir/prototipar → avaliar → revisar → avançar.

Abordagem Ágil

Backlog→entrega pequena→feedback↺

Na Abordagem Ágil, o trabalho avança em pequenas entregas, com conversa frequente e possibilidade de rever prioridades conforme aparecem novas evidências. Isso não significa “não analisar”: significa analisar o necessário para tomar bem a próxima decisão.

Onde isso já apareceu na Conecta?

Quando o protótipo mostrou uma dúvida, voltamos aos requisitos. Quando as integrações ficaram concretas, revimos qualidade e riscos. Quando o risco mudou, o backlog também pôde ser questionado. Ou seja: o projeto já nos mostrou, na prática, que aprender pode fazer uma decisão anterior ser revisada.

Volte ao problema inicial

No começo, a Conecta sofria porque as informações estavam espalhadas e o cliente não sabia facilmente o andamento do equipamento.

Agora pergunte:

  • o processo futuro realmente reduz esse problema?
  • os requisitos nasceram de evidências?
  • o protótipo permite acompanhar a ordem?
  • os riscos importantes foram reconhecidos?
  • conseguimos explicar por que cada decisão existe?

Se alguma resposta for “não”, volte à etapa de origem. Isso não significa que a análise falhou; significa que ela continua viva.

Dossiê Final da Assistência Técnica Conecta

O dossiê reúne a passagem do problema inicial para uma base organizada de desenvolvimento, sem copiar todos os artefatos novamente.

Fechamento

  1. Conte o projeto inteiro sem usar siglas.
  2. Escolha três ferramentas e explique qual pergunta fez cada uma aparecer.
  3. Mostre um ponto em que uma descoberta obrigou você a voltar e revisar algo anterior.
  4. Explique por que o MVP não contém tudo.
  5. Mostre uma ligação completa entre problema, requisito, interface e teste.
  6. Abra o dossiê final e confira se ele conta a mesma história.
Caderno da Análise · Evidência 15

Defesa da análise

O melhor sinal de aprendizado não é lembrar todas as siglas. É conseguir explicar por que cada decisão foi tomada e o que você faria se uma nova evidência aparecesse.