1. Situação
No Bloco 6, um túnel pôde tornar um serviço local acessível de fora da rede. Isso foi útil para compreender conectividade, mas também revelou uma pergunta de segurança: se alguém obtiver o endereço, essa pessoa deve conseguir controlar o dispositivo? Em um sistema real, a resposta não pode ser “sim, porque conhece a URL”.
2. Três objetivos clássicos
ConfidencialidadeInformações só devem ser acessadas por quem tem autorização.
IntegridadeDados e comandos não devem ser alterados de forma indevida.
DisponibilidadeO sistema e as informações precisam estar disponíveis quando necessários, dentro dos requisitos do projeto.
No nosso protótipo: confidencialidade aparece quando protegemos credenciais; integridade aparece quando queremos impedir comandos indevidos ou alterados; disponibilidade aparece quando pensamos no que o sistema deve fazer se a rede falhar.
3. Autenticar
É verificar quem está tentando acessar. Senha, chave, certificado ou outro mecanismo pode participar dessa verificação conforme o sistema.
4. Autorizar
Depois de saber quem é o usuário ou sistema, ainda precisamos decidir o que ele pode fazer. Ler um sensor e acionar uma porta podem exigir permissões diferentes.
5. Registrar
Em sistemas que exigem rastreabilidade, registros podem ajudar a saber que operação ocorreu e quando. Mas logs também podem conter dados pessoais e precisam ser protegidos.
6. Auditoria prática — nosso servidor do módulo 6
| O que existe | Risco que percebemos | Como tratar em um sistema real |
|---|
| SSID e senha escritos no código | Publicar o arquivo pode expor a credencial da rede. | Separar segredos do código publicado e controlar quem pode obtê-los. |
| Servidor HTTP local sem login | Quem alcançar o ESP32 na rede pode tentar acionar as rotas. | Adicionar autenticação e autorização compatíveis com o risco da aplicação. |
| HTTP sem criptografia | O conteúdo trafega sem a proteção oferecida por TLS. | Quando houver dados ou comandos sensíveis, projetar transporte protegido, normalmente com HTTPS/TLS ou uma arquitetura segura equivalente. |
| Túnel com URL pública temporária | A superfície de acesso deixa de ficar restrita à rede local. | Expor apenas quando necessário, encerrar após o teste e não depender do segredo da URL como mecanismo de segurança. |
| Queda do Wi-Fi | A interface Web deixa de responder. | Definir comportamento seguro para funções que devem continuar localmente. |
7. HTTP, HTTPS e autenticação não são a mesma coisa
HTTP organiza pedidos e respostas. HTTPS usa TLS (Transport Layer Security) para proteger a comunicação em trânsito. Autenticação verifica quem está acessando e autorização decide o que essa identidade pode fazer.
Uma conexão HTTPS não transforma automaticamente qualquer usuário em usuário autorizado. Da mesma forma, colocar uma senha na aplicação não substitui a proteção do tráfego quando ela é necessária. São camadas diferentes do projeto.
8. O projeto precisa de proteção em várias partes
| Parte | Risco simples | Decisão de projeto |
|---|
| Dispositivo | Configuração padrão ou software desatualizado. | Manter configuração controlada e atualizar componentes quando necessário. |
| Credenciais | Senha fraca, repetida ou publicada no código. | Usar credenciais adequadas e não expor segredos em repositórios ou páginas. |
| Rede | Serviço exposto além do necessário. | Limitar exposição e permitir somente os acessos necessários. |
| Aplicação | Comandos aceitos sem verificar autorização. | Implementar autenticação e autorização compatíveis com o risco. |
| Dados | Coleta, armazenamento ou compartilhamento excessivo. | Coletar o necessário, controlar acesso e definir proteção e retenção. |
9. Segurança desde a concepção
A LGPD determina que medidas de segurança relacionadas a dados pessoais sejam observadas desde a fase de concepção do produto ou serviço até sua execução. Em termos de projeto, isso significa que segurança não deve ser uma “última tela” acrescentada depois.
Planejar→Reduzir exposição→Controlar acesso→Testar→Manter
10. Revisando o nosso sistema
O SSID e a senha reais do Wi-Fi devem ficar publicados no GitHub?
Não. Credenciais reais não devem ser expostas em código público. No material didático usamos valores como NOME_DA_REDE e SENHA_DA_REDE justamente para separar exemplo de segredo real.
Trocar a URL do ESP32 por um endereço difícil de adivinhar resolve autenticação?
Não. Esconder o endereço não substitui um mecanismo de autenticação e autorização.
Se o sistema não coleta dados pessoais, segurança deixa de importar?
Não. Um atuador controlado sem autorização, um dispositivo indisponível ou um comando alterado podem causar problemas mesmo sem dados pessoais.
11. Checklist para o projeto IoT
FinalidadeEstá claro o que o sistema deve fazer?
DadosEstamos coletando apenas o necessário?
CredenciaisSegredos reais estão fora do código público?
AcessoEstá definido quem pode ler e quem pode comandar?
ExposiçãoO serviço está acessível somente onde precisa estar?
AtualizaçãoBibliotecas, firmware e dependências podem ser mantidos?
FalhasO sistema possui comportamento seguro quando rede ou serviço falha?
RevisãoTestamos o projeto também pensando em uso indevido, e não apenas no caminho feliz?
Checkpoint do módulo 9: pegue o servidor HTTP do módulo 6 e consiga apontar pelo menos três riscos ou limitações e uma medida de projeto para cada um. Se você apenas disser “colocar senha”, a análise ainda está incompleta.
Neste protótipo: estamos aprendendo princípios de proteção de dados e segurança. Sistemas que envolvem pessoas, patrimônio, saúde ou funções críticas exigem análise de risco, requisitos de segurança e, quando aplicável, avaliação jurídica e institucional próprias.
12. Referências oficiais para aprofundamento
ANPD — Perguntas Frequentes sobre LGPD
ANPD — Guia Orientativo sobre Segurança da Informação
13. Ponte para o projeto final
Agora temos sensores, atuadores, programação, conectividade, IoT, RTOS, interfaces, protocolos e critérios de proteção. O próximo passo deixa de ser estudar partes isoladas: vamos integrá-las em um projeto IoT completo, com problema, requisitos, implementação, testes e entrega.